A tristeza tem feito parte da vida de todos nós nestes tempos desafiantes e de perdas irreparáveis. Não apenas de liberdade, saúde, finanças, como de pessoas queridas, o que nos rouba a estabilidade emocional.

A tristeza é uma emoção humana natural. A tendência é sermos propensos mais à negatividade do que à positividade.

Segundo o psicólogo Paul Ekman, estudioso das microexpressões faciais, a tristeza é uma das sete emoções universais resultantes de uma perda importante. “É quando há um desânimo, um dissabor em relação à vida”, define. “É quando o indivíduo se sente solitário, cansado. Assim, acaba nutrindo uma baixa autoestima e grande angústia”.

Às vezes, os sentimentos de tristeza duram apenas um momento. Outras, dura mais tempo ou é muito forte. Não é possível definir intensidade ou duração.

Embora muita gente veja a tristeza como uma emoção ruim, ela sinaliza que alguém precisa de ajuda.

O gatilho para a tristeza, de acordo com Ekman, pode ser uma rejeição, um final de ciclo, uma despedida, doença ou ainda a morte de um ente querido. Um resultado inesperado ou transição de fases da vida também despertam tristeza.

Em contrapartida, algumas pessoas podem evocar a tristeza com efeito catártico, enquanto outros fogem da tristeza e tendem a evitar situações que possam desencadear a emoção. “Isso pode até mesmo fazer com que alguns evitem apego ou compromisso, pois sentem-se vulneráveis ​​à perda e à tristeza”, conclui o psicólogo.

Escondendo a tristeza

Deste modo, o uso das máscaras sociais, que são os papéis ou personagens que adotamos em diferentes âmbitos de convivência, são cada dia mais utilizadas para maquiar os verdadeiros sentimentos. Há quem se esconda atrás de um sorriso para convencer que é feliz.

Segundo pesquisas, a frase “sorrindo por fora e chorando por dentro” foi replicada mais de um milhão de vezes nas redes sociais só este ano. De fato, disfarçar a tristeza tem sido lugar comum, quando o ideal seria compreendê-la.

Embora não seja considerado um diagnóstico, a tristeza disfarçada é chamada de depressão sorridente, que desmistifica a ideia de que triste é quem chora, afinal podemos conhecer até humoristas deprimidos.

A comediante Joana Gama afirma que os humoristas têm “uma tendência maior para ter um maior diálogo interior e mais depressivo”. Ela afirma utilizar o humor como forma de validar a sua existência. “Acho que as pessoas são encaminhadas para papéis que querem desempenhar de acordo com as necessidades que sintam ou das carências que tenham”, explica.

“Em meu caso sinto uma enorme necessidade de validação e, portanto, nada mais objetivo e concreto do que a gargalhada… é um efeito muito repentino e imediato do meu trabalho e da minha existência”, conclui.

Em suma, nem sempre a pessoa triste tem crises inexplicáveis ​​de choro ou fica prostrada em casa. Ela pode ter uma vida aparentemente normal com família, com amigos. Da mesma forma nas redes sociais, onde a maioria exibe em seus perfis máscaras sociais felizes e realizadas.

Inclusive, tristes ou deprimidas, podem manter um emprego estável e continuar a manter uma vida social ativa. Com efeito, exibem máscaras sociais alegres e otimistas de forma a esconder seus vazios.

Por esse motivo, é importante falar sobre as questões de saúde mental de forma aberta.

 

Sinais de tristeza profunda

É importante compreender que não é saudável esconder a dor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que quase 265 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de tristeza crônica.

Mesmo entre aqueles que se esforçam para parecer bem, também podem carregar consigo muitos sintomas clássicos de depressão: tristeza, baixa autoestima e desistências em suas vidas diárias.

Outros sinais significativos de que algo está errado são as mudanças de hábitos, abandono de tarefas, fadiga, assim como a perda de interesse por coisas que antes gostavam.

Além disso, mudanças extremas de apetite, desde a compulsão alimentar até anorexia, alterações de peso também são sinais comuns em qualquer pessoa deprimida.

Enquanto pessoas lutam para sair da cama quando estão tristes, porque querem dormir o tempo todo, outras não conseguem dormir.

A tristeza constante pode vir acompanhada de culpa, sentimento de inutilidade ou de desesperança.

 

Por que as pessoas escondem a tristeza?

Por certo, quem esconde a tristeza quer proteger sua privacidade. O temor de julgamentos, críticas ou desvalorização faz com que muita gente se feche.

A tristeza e a culpa caminham juntas quase sempre. “Não quero sobrecarregar ninguém com minhas lutas. As pessoas me aconselham e acreditam ter me curado de ficar triste. Elas pensam que é escolha”, informa Mariana Nunes, 16 anos. Ela faz terapia desde os dez.

A jovem conta ter ouvido que “ficar triste é coisa de desocupados”, bem como “que deveria cuidar dos pobres para aprender o que é ter problemas”. O pesado julgamento a fechou para as pessoas: “Apaguei redes sociais e só falo do que sinto na terapia”, confessa.

“Inúmeras vezes me senti pior ao ouvir que minha vida é boa, que não me esforço, que quero chamar a atenção”, desabafa Mariana. “Hoje faço como os pinguins dos desenhos, apenas sorrio e aceno”, alfineta.

Felicidade a um clique

As redes sociais retratam uma felicidade irreal. Enquanto navegamos, podemos ter a visão errada de que somos os únicos na luta pela saúde mental. Sorrisos, maquiagens e corpos perfeitos, lugares paradisíacos.

Em consequência, vem o isolamento daqueles que não se enquadram ao sucesso e felicidade eterna vendidas online.

O próximo nível é esconder qualquer dor ou problema que estejam experimentando.

 

Fugindo de sentir-se julgado

Muita gente teme contar no trabalho ou na escola que estão tristes ou sofrem de depressão. Apesar de termos campanhas explicativas, sabemos que a empatia nem sempre está presente nos ambientes educacionais ou corporativos. A

Há o medo de ser erroneamente rotulado de preguiçoso ou ouvir que não “se esforça o suficiente”.

Quando uma pessoa internaliza essas mensagens, ela pode vir a acreditar que não é inteligente ou capaz o bastante e a tristeza tem uma maneira de reforçar essas falsas crenças fazendo com que cresça a opinião negativa de si mesma.

Nos relacionamentos, as pessoas com depressão podem não falar sobre suas experiências porque temem que os outros não as entendam. Elas podem temer que seu cônjuge, família e amigos deixem de amá-los ou os culpem por sentir.

E também podem estar preocupados que seus entes queridos vão culpar a si mesmos por não conseguirem ajudar. A culpa agiganta a dor e o isolamento.

Pessoas que estão deprimidas podem se esforçar muito para tentar esconder o que realmente sentem. Por fora, chegam a parecer e até agir como se estivessem se sentindo bem, mas por dentro, o poço é bem profundo.

No entanto, importante reformular como você pensa a respeito dessa condição. Comece focando nas causas da depressão, que são apoiadas por fatos, ao invés de se concentrar nas razões que são subjetivas e relativas.

 

Fatores causadores da tristeza

Podemos classificar os causadores da tristeza em fatores de risco modificáveis e não modificáveis.

Ao passo que aquilo que não podemos modificar são as influências, como estrutura do cérebro, predisposição genética e exposições ambientais, ou seja, não são possíveis de se controlar.

Enquanto isso, fatores de risco se enquadram na categoria de estilo de vida e são considerados modificáveis. Porém a capacidade de mudar dependerá de sua própria maleabilidade em adaptar-se e de quanto apoio recebem.

A tristeza pode tornar muito mais difícil lidar com os fatores que podem estar contribuindo para a depressão, como o uso de substâncias ou dieta alimentar . Por mais que seja uma doença mental, a depressão também pode ser física.

Uma pessoa que acredita que está deprimida sem motivo pode não achar que merece pedir ou obter ajuda.

As percepções podem afetar o tratamento e os resultados. Certamente, a procura por profissionais capacitados facilitará o processo.

 

Transtorno Afetivo Sazonal (TAS)

Se os episódios de tristeza são repentinos e acompanhados de sonolência e ganho de peso durante os meses de inverno, mas você se sente perfeitamente bem na primavera, pode significar uma condição conhecida como Transtorno Afetivo sazonal (TAS).

Acredita-se que o TAS seja desencadeado por uma perturbação no ritmo circadiano normal do corpo.

O ciclo circadiano, também conhecido como ritmo circadiano, é o período de um dia (ou 24h) e das atividades biológicos do corpo. Por exemplo, o metabolismo, sono e vigília, assim como a exposição a variações de luz. Quanto mais longe do sol a pessoa estiver, mais comum a incidência do TAS.

Os estímulos do cérebro variam do dia para a noite, bem como os hormônios produzidos, temperatura corporal, alterando o ritmo de sono. A ausência ou déficit de vitamina D podem agravar quadros de tristeza.

Quando o ciclo circadiano é alterado, desorganiza o relógio biológico e aparecem sintomas como cansaço excessivo, perda de concentração, dor de cabeça ou enxaqueca e irritabilidade.

Uma possível causa biológica da depressão é um desequilíbrio nos neurotransmissores que responsáveis pela regulação do humor, como dopamina, serotonina e norepinefrina. Já os neurotransmissores são substâncias químicas que trabalham na comunicação das áreas do cérebro. Sem comunicação adequada, a depressão se instala.

 

Como lidar com a tristeza?

Os sentimentos tristes não precisam controlar seu humor ou estragar seu dia. Você pode fazer coisas para ajudar a se sentir melhor, bem como evitar que a tristeza permaneça por muito tempo, tanto quanto ela se fortaleça.

Por exemplo:

  1. Observe como você se sente e por quê.

  2. Conheça suas emoções, isto ajuda a compreender-se e aceitar-se.

  3. Diga para outra pessoa que está triste.

  4. Tente descobrir os motivos de estar triste.

  5. Acolha e valide seus sentimentos.

  6. Lembre-se de que não há problema em estar triste.

  7. Faça o que for possível para sentir-se melhor.

  8. Procure ferramentas que auxiliem a superar decepções ou fracassos.

  9. Não desista quando algo der errado. Se acaso desistiu, retome.

  10. Mantenha uma atitude positiva.

Soluções para a tristeza

Pense em soluções, ou busque maneiras de resolver o problema. E ainda, lidar com uma situação pode ajudá-lo a se sentir forte, confiante e bem consigo mesmo. É difícil ficar triste quando você se sente tão capaz!

As pessoas próximas que acreditam e se preocupam com você como pais, amigos e cônjuges podem confortá-lo quando você se sentir triste. Ora ouvir e entender o que você está passando é o suficiente, ora ajudar a resolver um problema. Ao mesmo tempo começar a pensar em coisas mais felizes para afastar a tristeza ou a decepção da mente.

Manter relacionamentos saudáveis ​​com pessoas em quem você confia é importante para o seu bem-estar mental. Pense em maneiras de manter contato com amigos e familiares – por telefone, mensagens, chamadas de vídeo ou redes sociais.

A tristeza distorce seu pensamento. Haja visto que, quando você está deprimido, sua mente pode pregar peças em você. Conversar pode ajudar muito a discernir o que é real do que é truque.

Tente se concentrar nas coisas que você pode controlar, por exemplo, como você age, com quem fala e de onde obtém informações. É normal sentir-se um pouco preocupado, assustado ou impotente. Por isso faz bem compartilhar as preocupações com pessoas que você confia.

Decerto, conversar ajuda a liberar a tensão, ao invés de mantê-la dentro de si. Ajuda a fortalecer seus relacionamentos e se conectar com as pessoas.

A tristeza aliada a irritabilidade persistente pode ser um sintoma de depressão. Se o mundo, sua vida ou seus entes queridos constantemente o incomodam, a causa pode ser algo que está acontecendo dentro de você.

A tristeza, a depressão e o isolamento podem ser difíceis para todos ao seu redor, não apenas para você. Abra-se.

Qualidade de vida

Invista fortemente em sua qualidade de vida. Antes de tudo, evite a automedicação; remédios, maconha e álcool têm efeitos antidepressivos, mas com efeito rebote, ou seja, podem agravar seu estado, deixando-o mais triste.

O exercício é o remédio mais fácil e barato para a tristeza. Caminhar apenas 30 minutos por dia aliviará os sintomas. Pratique um jogo ou esporte, faça caminhadas, ande de bicicleta, dance ou corra, dê um passeio, faça arte ou música, leia ou passe tempo com alguém de quem você gosta. O segredo é ocupar seu tempo com o que possa relaxar.

Neste sentido, procure fazer refeições saudáveis ​​e bem balanceadas, e, por fim, beba bastante água.

Cerca de 7 a 8 horas é a quantidade média de sono que um adulto precisa para seu corpo e mente descansar totalmente. Experimente fazer uma lista de coisas que precisa resolver no outro dia, isso ajuda a desacelerar a mente na hora de dormir e promover bom descanso.

Faça um esforço para se concentrar em seu passatempo favorito. Caso tenha perdido o interesse, procure um novo. Um jogo, um trabalho manual, algo que possa distrair ou desafiar sua mente.

Se você não consegue pensar em nada que goste de fazer, tente aprender algo novo em casa; na internet existem muitos tutoriais e cursos online gratuitos.

Juntamente com isto, tire alguns minutos do dia para fazer exercícios de relaxamento. Isso pode ajudar com emoções e preocupações difíceis e melhorar o bem-estar.

Do mesmo modo, experimente acompanhar vídeos que ensinem a respiração consciente. Além de oxigenar o cérebro com a prática, ainda poderá sentir-se mais calmo.

 

Cuide de sua autoestima

Por fim, cuide de sua autoestima, que é a maneira como você se sente a respeito de si mesmo. Quando temos uma autoestima saudável, tendemos a sentir positivos em relação a nós mesmos e à vida em geral. Isso nos torna mais capazes de lidar com os altos e baixos da vida.

Quando nossa autoestima está baixa, tendemos a ver a nós mesmos e nossa vida de uma maneira mais negativa e crítica. Também nos sentimos menos capazes de enfrentar os desafios que a vida nos lança.

É provável a tristeza nos faça tratar a vida com muito rigor, julgando a dor e incapacidade momentânea. Que tal mudar de postura e ter a mesma maneira positiva que teria com um amigo querido?

Acolha seus medos e injete ânimo em suas palavras: “Você é uma pessoa brilhante, vai conseguir o próximo emprego”, ou “Agora vai dar certo, persista”.

Para aumentar sua autoestima, você precisa identificar as crenças negativas que tem sobre você mesmo e, em seguida, desafiá-las.

Ressignificando

Entenda que nem sempre a tristeza é uma escolha, mas uma condição.

Você pode dizer que é incapaz ao se candidatar a um novo cargo, por exemplo, ou que ninguém liga para você. Comece a anotar esses pensamentos negativos e procure descobrir quando começou a tê-los. Em seguida, comece a escrever algumas evidências que desafiem essas crenças negativas, como, “Eu sou muito bom em redação” ou “sou ótimo para dar conselhos”.

Será alentador elencar atitudes positivas sobre você, como “Sou atencioso”, “Sou organizado” ou “Sou alguém em quem os outros confiam”.

Registre também algumas coisas boas que outras pessoas dizem sobre você e descubra que há muito mais pontos positivos! Aprenda a ressignificar os sentimentos.

Porém, se durante o processo você descobrir que certas pessoas do seu convívio tendem a entristecer você, baixar sua autoestima, o ideal é que passe menos tempo com elas ou diga-lhes como você se sente a respeito de suas palavras ou ações. Fuja de relacionamentos tóxicos!

Tente construir laços com pessoas que sejam positivas e que apreciem seu jeito de ser.

Igualmente, não se force a ser diferente do que é somente para se encaixar em um grupo. Ou ainda, não diga sempre sim para outras pessoas, como se fosse obrigatório agradá-las. O risco é que você fique sobrecarregado, ressentido, zangado e deprimido.

Na maioria das vezes, dizer não é libertador!

Quem é normal?

“De perto ninguém é normal”, disse sabiamente Nelson Rodrigues. Vivemos tempos difíceis e ter que lidar com problemas de saúde mental é muito comum. Queremos ser normais e nos encaixar nos padrões dos grupos que queremos pertencer. Porém, o que é ser normal?

Quando a tristeza é muito constante, dê o primeiro passo e peça ajuda. Atualmente, com o tratamento e o apoio corretos, o sorriso que você tem por fora em breve corresponderá a como você se sente por dentro.

A resiliência

Resiliência é o que permite que você enfrente os altos e baixos da vida, enfrentando as frustrações e adversidades.

Tomar medidas para cuidar do seu bem-estar pode ajudar você a lidar com a pressão e reduzir o impacto que o estresse tem em sua vida. Isso às vezes é chamado de desenvolvimento de resiliência emocional.

Resiliência não é apenas sua capacidade de se recuperar, mas também de se adaptar a circunstâncias desafiadoras, enquanto mantém o bem-estar mental. Resiliência não é um traço de personalidade, é algo que todos nós podemos tomar medidas para alcançar.

 

Buscando o bem-estar mental

O bem-estar mental não tem um significado definido, mas fala sobre como nos sentimos, como estamos lidando com a vida diária ou o que parece possível no momento.

O bem-estar mental não significa que você está sempre feliz ou não afetado por suas experiências. Há muitas coisas que podemos tentar para cuidar de nosso bem-estar. Porém, nem sempre é fácil começar.

Sobretudo tente o que for confortável, dê a si mesmo tempo para descobrir o que funciona para você, indo no seu próprio ritmo e dê pequenos passos. Escolha uma ou duas coisas que pareçam realizáveis ​​no início, antes de prosseguir para tentar outras ideias.

 

O tratamento ajudará?

É difícil prever quais tratamentos funcionarão melhor para você, já que cada pessoa é única. A eficácia de um tratamento específico também depende do tipo de sentimentos que a pessoa está experimentando e sua entrega ao processo. É importante trabalhar em estreita colaboração com seu médico ou profissional de saúde mental (como um psicólogo ou psiquiatra, especialmente se você toma medicamentos), pois está explorando diferentes opções de tratamento.

Psicoterapia

A psicoterapia é uma das opções de primeira linha usadas para cuidar da tristeza e da depressão.

Embora existam muitos tipos disponíveis, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma opção frequentemente usada e eficaz. Ele aborda os pensamentos negativos que contribuem para o agravamento da dor. Isso ajuda a perceber que seus pensamentos podem estar contribuindo para os sintomas.

Opções de terapia online também estão disponíveis. Isso pode ser uma maneira conveniente e, às vezes, mais acessível de obter tratamento.