Muitos estudos de psicologia atestam que o amor próprio e a compaixão são essenciais para a saúde mental e o bem-estar de todas as pessoas. Além disso, é auxiliar no controle da depressão e da ansiedade.

No entanto, para muita gente, o amor próprio é visto como artigo de luxo ou ainda como egoísmo, quando deveria ser uma necessidade.
Por certo, vivemos tempos em que a competitividade tem nos alimentado o desejo de nos sobressair e fazer tudo certo, o tempo todo. É muita cobrança!

Ao passo que denvolve autocrítica em demasia e aquela voz interior persecutória que constantemente nos diz como poderíamos ter feito melhor. Em resumo, esta é a marca registrada do perfeccionismo.

Estudos mostram que os perfeccionistas correm um risco maior de contrair várias doenças, tanto físicas quanto emocionais.

Mulheres e amor próprio

As mulheres, em particular, têm a tendência de se cobrar excessivamente. Além dos papéis naturalmente assumidos de profissional, mãe, esposa, mulher, acumulam diversas responsabilidades para si. Porém, como é natural, acabam esperando um reconhecimento de sua dedicação e esforço, que nem sempre vem. Então nasce a frustração.

Para o psiquiatra Joel Rennó Júnior, coordenador geral do Pró-Mulher, do Instituto de Psiquiatria da USP, a sociedade necessita repensar os papéis desempenhados pela mulher.

De maneira idêntica, não ter perspectivas positivas sobre a vida faz com que as mulheres fiquem vulneráveis aos efeitos ansiosos do cotidiano, segundo o psiquiatra. “Muitas vezes, em ambientes de trabalho ou até mesmo familiar, o futuro apresenta sinais de escuridão”.

Rennó se mostra contrário ao pensamento que é sinal de força fingir que está tudo bem. O medo motiva essa crença distorcida de que vai passar, que dura um breve período de tempo, mas logo sobrevém o estado de esgotamento com efeitos imprevisíveis. É preciso resolver.

Em seus estudos, o médico sugere que adotar condutas de cuidados com o próprio corpo, respeitar os tempos e limites do organismo como, por exemplo, bem como horários de refeição, sono, lazer, entre outras, pode ajudar.

Também é importante reduzir o consumo de alimentos que aumentam a agressividade e tensão, tais como carne, café, chocolates, álcool. Acima de tudo, deve-se buscar o que possa fazer bem e acalmar as tensões do dia-a-dia.

No entanto, sem autocompaixão a tendência da mulher, assim como todas as pessoas perfeccionistas, é ter ciclos de paz e ciclos de cobrança.

Os males do perfeccionismo

Em contraste com aquilo que fomos criados para acreditar, o perfeccionismo não é uma qualidade. Afinal, ser obcecado por detalhes perfeitos demanda tempo e energia.

Desde perder um prazo até derrubar uma colher de chá no chão pode ser um problema. Os perfeccionistas constantemente se importam com as coisas mais inesperadas. Ser perfeccionista, inclusive, é ruim emocionalmente falando, visto que pode trazer enfermidades como síndrome do intestino irritável, fibromialgia , distúrbios alimentares, ansiedade, depressão, etc.

Livrando-se do perfeccionismo

Então, antes de qualquer coisa, é preciso reconhecer que ser perfeccionista não é bom e não faz bem. Sem dúvida, ter que controlar tudo é desgastante e cada pequeno erro da pessoa, pode diminuir gradualmente a autoestima e o contentamento.

A professora de desenvolvimento humano na Universidade do Texas, Kristin Neff , ensina que “Amor, conexão e aceitação são direito seu”. Em outras palavras, a felicidade é um direito, não algo que você precisa ganhar.

Até mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece que a “busca da felicidade é um objetivo humano fundamental”.
Logo, a autocompaixão é essencial. O amor próprio, segundo os psicólogos, é algo que se pode aprender e desenvolver.

O amor próprio, de acordo com estudiosos, é a arte de aprender a amar a si mesmo e está ligado à:

1) Diminuição da ansiedade e depressão
2) Melhor recuperação do estresse
3) Uma visão mais otimista da vida
4) Melhor adesão a comportamento saudáveis

O que é amor próprio e autocompaixão?

Autocompaixão e amor próprio são amplamente usados como sinônimos na literatura especializada. A autocompaixão pode ser definida como ser gentil e compreensivo quando confrontado em falhas pessoais. É ter a mesma empatia consigo do que oferece ao próximo.

Já o amor próprio é um estado de apreço por si mesmo que cresce a partir de ações que apoiam o crescimento físico, psicológico e espiritual. Trata-se de valorizar-se como ser humano que é digno de amor e respeito.

De acordo com estudos, ter uma visão positiva de si mesmo aumenta a resiliência diante das adversidades. E ainda, ajuda na recuperação mais rápida de vítimas de traumas ou da separação romântica. Também ajuda a lidar melhor com os fracassos ou constrangimentos.

“A maioria de nós tem um bom amigo em nossas vidas, que nos apoia incondicionalmente”, explica Kristin Neff, “Amor próprio é aprender a ser este amigo caloroso e compreensivo para si mesmo”.

A professora exemplifica ainda que aprender a amar-se é como uma construção de três níveis:

1) Bondade própria, ou seja, tratar-se com compreensão e perdão;

2) Reconhecimento do lugar de alguém na humanidade, logo, pessoas não são perfeitas e as experiências pessoais são parte da experiência humana mais ampla;

3) Atenção plena que é a equanimidade emocional e evitar a identificação com emoções dolorosas.

É o amor próprio que permite sermos compreensivos conosco quando sofremos, fracassamos ou nos sentimos inadequados. Ao invés do flagelo da autocrítica, acolhimento.

Adquirindo amor próprio

Nas palavras dos pesquisadores e professores Neff e Germer , da Harvard Medical School em Boston: ‘Seja gentil com você mesmo em meio ao sofrimento e tudo mudará’.

Um exercício simples e eficiente, de acordo com eles, durante os momentos de angústia emocional é repetir três frases: “Este é um momento de sofrimento”, “O sofrimento faz parte da vida” e “Que eu seja gentil comigo mesmo”.

Os estudos confirmam que este exercício é capaz de reduzir os níveis do cortisol, o hormônio do estresse, regular a respiração e ainda aumentar a variabilidade da frequência cardíaca, que é a capacidade fisiológica do corpo em lidar com situações estressantes.

Ouvir a si mesmo pode significar, em primeiro lugar, prestar atenção em como você fala consigo mesmo. Ouvir-se é crucial para cultivar amor próprio.

Acolhimento

A professora Neff questiona qual tipo de linguagem você usa consigo mesmo quando percebe uma falha ou comete um erro? Você se insulta ou assume um tom mais gentil e compreensivo? Se você é altamente autocrítico, como isso o faz se sentir por dentro?

Ela explica que neste sentido, somos muito mais duros conosco mesmos do que seríamos com os outros ou do que esperaríamos que os outros nos tratassem. Portanto, é necessário substituir a voz interior áspera por uma mais amável.

Finalmente, você pode tentar reformular as observações severas por palavras de uma pessoa mais gentil e misericordiosa. Do mesmo modo, você pode tentar escrever uma carta para si mesmo, mas usando a perspectiva de um amigo acolhedor e compassivo, aquele que você tem sido para os outros.

Outra dica para os momentos de angústia emocional é perguntar-se “do que eu preciso?”, e ouvir atentamente a resposta. Os pesquisadores destacam: “Perguntar é em si um exercício de amor próprio, o cultivo da boa vontade para consigo mesmo”.

Assim como vale a pena ter em mente “O que eu preciso?”, que pode ser tanto um alento para seu sofrimento emocional, por exemplo, ou tomar uma xícara de chá ou acariciar o cachorro. É imprescindível ouvir-se.

Amor próprio, autoestima e confiança

Embora o amor próprio possa parecer semelhante à autoestima, eles são diferentes em muitos aspectos. A autoestima se refere ao nosso senso de valor percebido ou o quanto gostamos de nós mesmos.

Em contraste com a autoestima, amor próprio não se baseia em avaliações. As pessoas sentem compaixão por si mesmas porque todos os seres humanos merecem compaixão e compreensão, não porque possuem algum conjunto particular de características, explica Kristin Neff.

Embora a autoconfiança faça você se sentir melhor em suas habilidades, ela também pode levá-lo a superestimá-las. A autocompaixão, por outro lado, o incentiva a reconhecer suas falhas e limitações, permitindo que você se olhe de um ponto de vista mais objetivo e realista .

Amor próprio é amar a si mesmo sem precisar fazer comparações; ter orgulho de seu desempenho e de suas realizações, sem invalidar a do próximo. Ao mesmo tempo, saber que não há problema em sentir-se inseguro e duvidar de si mesmo de vez em quando.

A terapia do amor próprio e da autocompaixão

Agora sabemos que sentir amor e compaixão por nós mesmos não é egoísmo, é na verdade uma ótima maneira de ter certeza de que estamos dando o nosso melhor e impactando os outros positivamente.

Você provavelmente já ouviu frases como: “Você não pode amar ninguém até que ame a si mesmo” e “Você não pode cuidar de ninguém até que tenha cuidado de si mesmo”. Essas frases são reais, tudo começa com você!

Se você não está em um bom lugar, caracterizado por equilíbrio, compaixão e paz interior, provavelmente não está em posição de fazer seu melhor ou de ser o melhor parceiro, pai ou amigo que pode ser.

 

5 exemplos de amor próprio

  • Um aluno com desempenho geralmente alto que falha em um teste, mas diz a si mesmo: “Tudo bem, todos nós falhamos às vezes. Continuo sendo um bom aluno”.
  • Um pai que perde a paciência e levanta a voz para o filho, perdendo a razão: “Eu não sou um pai ruim, simplesmente perdi a paciência. Todo mundo perde a paciência de vez em quando. Vou me desculpar com meu filho, me perdoar e me comprometer a fazer melhor no futuro”.
  • A mulher que chega em casa, depois de um dia de trabalho e é áspera como marido. Ela demonstra amor próprio ao pensar: “Todo mundo comete erros. Eu sinto mal por tê-lo destratado, jogando sobre ele todas as frustrações do meu dia, mas isso não me torna uma pessoa má. Vou me desculpar com ele”.
  • Uma pessoa que se esquece de um compromisso marcado com um amigo e se sente mal por isso pode demonstrar amor a si mesma, dizendo: “Posso ser esquecida às vezes, mas sempre perdoo quando um amigo se esquece de algo, então tudo bem”.
  • Um funcionário que não recebeu a promoção que esperava demonstra seu amor próprio dizendo a si mesmo: “Obter esta promoção não me define. Continuo sendo bom no que faço e vou melhorar minhas habilidades em algumas áreas”.

 

Benefícios do amor próprio

Amor próprio é um componente vital contra a depressão e os resultados negativos que ela traz. Uma pesquisa mostrou que pessoas com pouco amor próprio correm o risco de fugir de seus problemas, assim como ruminam mais sobre seus pensamentos e sentimentos negativos.

Seus benefícios incluem felicidade, otimismo, bom humor. E ainda maior senso de sabedoria, motivação e vontade de tomar iniciativas, aumento da curiosidade, aprendizado e exploração, entre outros.

Transtorno de déficit de amor próprio

O Transtorno de Déficit de Amor Próprio pode ser definido como a ausência de amor próprio, de tal forma que a pessoa desenvolva inseguranças que inibem comportamentos saudáveis como delimitar seus próprios limites e lidar com entes queridos narcisistas de maneira assertiva.

Essas pessoas geralmente ficam presas a relacionamentos difíceis e disfuncionais, provavelmente uma série deles, porque seu problema não pode ser resolvido pelo amor dos outros, apenas pelo amor que eles podem dar a si mesmos.

A baixa autoestima ou falta de amor próprio é algo que pode ter raízes na infância e se estender até a idade adulta. Pode ter sido causada por ações das pessoas ao seu redor, por causa de um acontecimento traumático, porque não houve um bom exemplo em casa, ou simplesmente por causa de uma forma de pensar inata.

Algumas consequências podem ser uma vida sexual insatisfatória, ou abuso de álcool e drogas, ou automutilação e distúrbios alimentares.

Dicas para aprender a amar a si mesmo

Embora o amor próprio não seja necessariamente inato, pode ser ensinado.

Aqui estão algumas dicas úteis sobre como amar a si mesmo:

  1. Reconheça como você está se sentindo.

    Você provavelmente já ouviu que “o primeiro passo para superar um problema é admitir que você tem um”. Todos nós sentimos uma variedade de emoções ao longo de nossa vida tal qual tristeza, raiva, frustração, solidão, felicidade e muito mais.

    Quando algo está errado, é importante reconhecer como está se sentindo naquele momento. Por que está triste ou zangado? Embora não haja nada de errado em sentir qualquer uma das emoções elencadas ou outras, é importante que, depois de reconhecer suas emoções, você possa aceitá-las.

  2. Pense em seus sentimentos sob a perspectiva de alguém de fora.

    Como você se sentiria se visse um ente querido experimentando esta sensação?
    O engraçado é que nos tratamos de maneira totalmente diferente do que tratamos os outros. Embora possamos tentar impor um comportamento positivo ao nosso amigo ou membro da família que está vivendo alguma situação negativa, nós nos puniríamos por nos sentir assim.

  3. Veja cada situação com um olhar de compaixão e seja gentil consigo mesmo.

    Ame-se naquele momento e em todos os outros. Perdoe-se. Quando cometer um erro, decida o que você pode fazer para corrigi-lo. Em seguida, use o diálogo interno para encontrar soluções e depois para se encorajar a dar esse passo em direção ao perdão.

  4. Aprenda a dizer não.

    Às vezes, praticar o amor próprio não é apenas falar gentilmente quando estamos sentindo certas emoções. Também pode ser como cuidar de nós mesmos quando os outros estão por perto. É ter bem claro o que queremos ou não fazer, sentir ou experimentar.

    Ou seja, aprender a definir limites, reservar um tempo para você. Colocar como normal dizer “não” às pessoas se achar que precisa. Ame a si mesmo o suficiente para tomar a decisão certa por você, e não por mais ninguém.

    O amor próprio é uma ação contínua, um processo contínuo, uma escolha contínua. Você deve investir constantemente em si mesmo, trabalhando para fazer coisas que o promovam.

    Autoconsciência

    Autoconsciência é estar ciente de como os seus pensamentos afetam suas emoções e como as emoções fazem com que você aja.
    Você está ciente dos pensamentos que o fazem sentir raiva e agir impulsivamente? De onde vêm e por que estão aí? Por que eles fazem com que se sinta assim? O mesmo se aplica ao que te faz feliz. Por que isso te deixa desta forma?

    É o exercício de se examinar vendo de fora. A autoconsciência é a chave para a inteligência emocional.

    Isso também inclui se afastar ou evitar situações que você sabe que irão desencadear certos sentimentos e reações indesejáveis dentro de você. Por causa da programação negativa contínua que enfrentamos na sociedade, nos concentramos nas coisas ruins e desagradáveis e projetamos essa negatividade em nós mesmos com frequência, mesmo sem perceber.

    Se você luta para descobrir seu valor próprio, faça uma lista de elogios que recebe frequentemente. Você pode se achar um fracasso porque não sabe o seu valor. Agora observe a lista. Seus pontos fortes, talentos e atos bondosos para com outras pessoas são apenas uma expressão de seu valor próprio.

    Em caso de dúvida, antes de reagir a um determinado sentimento negativo, responda:  “O que alguém que ama a si mesmo faria?”. Repita esta dinâmica sempre que precisar tomar uma decisão, seja ela trivial ou importante. As respostas virão como uma dica e um aviso.

 

Maneiras de aprender a amar a si mesmo e ser feliz

Amar a si mesmo é experimentar felicidade e segurança em um nível totalmente novo. Buscamos o amor exteriormente porque é assim que, quando crianças, encontramos amor e segurança. Aprendemos a desejar que nossos pais validem nossos sentimentos.

Só que a verdade é que o amor que você pode estar procurando só pode vir de dentro . É por isso que o amor de outra pessoa nunca é suficiente para você ser verdadeiramente feliz e você nunca pode se sentir seguro se não se sentir completo com suas próprias capacidades.

Elimine a ideia de que você tem que ser perfeito. A perfeição não existe e quando você a encontra nas redes sociais, muitas vezes são apenas máscaras sociais. As expectativas da sociedade em relação a você são irreais. Não compare você ou sua vida a esse padrão, isso só leva a auto depreciação e depressão.

Viva no momento, um dia de cada vez. Veja de onde você veio e aprecie a beleza do momento em que você está vivo.
Cultive a gratidão. Quando ficamos confortáveis, ficamos ingratos. Mude isso, mostre gratidão todos os dias.

Você não pode controlar tudo. A única coisa que você pode controlar é a si mesmo. No lugar de tentar controlar tudo e todos, faça o melhor que puder e desapegue.

Encare seus pensamentos negativos. Eles são úteis? Eles são gentis? Antes de dizer qualquer coisa negativa, avalie: “Este pensamento me torna melhor de alguma forma? Ou é apenas rude, depreciativo e cruel?”.

Semelhantemente, lembre-se de quem você é. A adversidade é sua amiga, ela o desafia a tornar a vida interessante para que você possa chegar ao lugar que realmente deseja.

Além de um corpo

Ame seu corpo, esta é uma ferramenta linda e maravilhosa para que você possa fazer todas as coisas que deseja nesta vida.
Somos ensinados que seremos felizes apenas se nossos corpos forem perfeitos, de acordo com o mercado. Você conhece esse tipo, ele muda a cada década, um padrão de beleza impossível que é frequentemente corrigido.

A felicidade não pode ser encontrada em um corpo porque não é onde a felicidade vive. A felicidade vem da auto aceitação. De perceber que a razão pela qual você deseja um corpo belo é se sentir seguro, aceito e bem-sucedido, para que sinta livre para fazer todas as coisas que desejar.

A verdadeira felicidade e o amor não são encontrados nas coisas, mas na valorização do que você tem e experimenta.

Os estudiosos afirmam inclusive, que no final da vida você quer que alguém diga como você soube aproveitar a vida, como você fez tudo o que sempre quis. O que você coloca em sua mente torna-se sua vida, portanto, é lógico que você preencha sua mente com informações positivas, e você terá uma vida positiva.